De: Omiglei da Silva <omiglei@hotmail.com>
Assunto: [JUVENTUDE, ESPERANÇA E FÉ] Insensatez na Região Amazônica
Para: domgeraldov@yahoo.com.br
Data: Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009, 11:38
Em
agosto de 2003, a companhia elétrica estatal brasileira Furnas e o
conglomerado privado da construção Odebrecht apresentaram, em um
seminário no Rio de Janeiro organizado pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um projeto para um
complexo hidrelétrico e uma hidrovia industrial no Rio Madeira, o
principal afluente do Rio Amazonas.
Quase
imediatamente, o Complexo Madeira foi promovido como o único projeto
energético considerado “essencial” para evitar racionamentos de
eletricidade no Brasil durante os próximos dez anos – assumindo,
portanto, o papel que, até então, havia sido destinado à represa de
Belo Monte, no Rio Xingu. Por mais de uma década, a Eletronorte,
companhia estatal de eletricidade, tentou forçar a construção de Belo
Monte driblando as disputas técnicas e legais e a forte oposição dos
grupos ambientalistas e de direitos humanos. Para justificar a opção
por essas mega – hidrelétricas, o governo e o setor privado utilizam
a estratégia da ameaça do retorno do apagão, ocorrido nos anos 2001 e
2002.
Pelo
fato de a Odebrecht ter sido uma das principais financiadoras da
campanha presidencial de Lula e Furnas estar se beneficiando do
compromisso assumido por ele de reintegrar o planejamento energético à
burocracia elétrica estatal, o projeto Madeira foi revigorado pelo
esforço, sem precedentes, do atual governo para forçar o seu processo
de licenciamento ambiental a qualquer custo.
Apesar
de adotar um discurso de sustentabilidade ambiental, com especial
destaque a novos esforços para limitar o desmatamento da Amazônia, o
governo Lula insistiu na construção das represas do Madeira, o que
acabou por transformar a análise dos impactos do projeto em uma farsa
absurda.
O
Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) foi até mesmo desmembrado para assegurar a rápida aprovação
de um projeto de duvidosa viabilidade ambiental, social e econômica.
A
Amazônia tem uma história que sempre foi marcada por ambição, ganância,
conflitos e trágicos erros cometidos por aqueles que ocupam o poder.
Nos próximos anos, novas informações revelarão os interesses por trás
do projeto e as manipulações para tentar justificá-lo. No entanto,
neste momento, já se especula que, se o Complexo Hidrelétrico do Rio
Madeira continuar sendo construído, ele poderá, no futuro, ser
considerado um dos mais devastadores e irreversíveis erros cometido
pela administração do governo Lula.
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Postado por Omiglei da Silva no JUVENTUDE,
ESPERANÇA E FÉ em 2/26/2009 06:35:00 AM