População afrodescendente PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Qua, 29 de Dezembro de 2010 15:24

Os descendentes dos africanos chegaram sendo submetidos a escravidão para trabalhar na construção do Forte Príncipe da Beira e das minas de ouro de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Muitos deles fugiram, constituindo o Quilombo do Piolho (no Igarapé do Piolho, em Cabixi). Atacado pelos portugueses, jamais conseguiram reduzir os quilombolas, que se instalaram no Vale do Guaporé. Quando mais tarde, o ouro acabou nas minas de Vila Bela, por causa de doenças endêmicas os portugueses abandonaram a região, e os descendentes africanos viveram em harmonia com os índios e com a natureza, da agricultura, da caça e da pesca, e posteriormente da extração e transporte de seringa em povoados ao longo do rio. De forma que o Vale do Guaporé se converteu numa região onde os antigos escravos já viviam em liberdade, muito antes da Lei Áurea de 1888. Quando isso aconteceu, alguns grupos de Cáceres procuraram também aqui onde trabalhar e viver em liberdade, descendo pelo pelo Guaporé e chegando até Santa Fé, perto de Costa Marques. Alguns, como Balbino Antunes Maciel, se converteram em importantes seringalistas.

 

Foto: Morador de Santo Antônio do Guaporé

Atualmente o Vale do Guaporé concentra as únicas comunidades de Rondônia reconhecidas oficialmente como Remanescentes de Quilombo pela Fundação Palmares: Santo Antônio do Guaporé, Pedras Negras, Forte Príncipe da Beira, Santa Fé, Laranjeiras, Comunidade do Seu Jesus (no Rio São Miguel), e também Rolim de Moura do Guaporé. Está com o pedido apresentado a comunidade de Tarumá. Em quatro delas (Santo Antônio, Pedras Negras, Seu Jesus e Laranjeiras) o INCRA tem realizado o estudo oficial para demarcação do seu território, sem que ainda nenhuma comunidade tenha recebido titulação oficial dos territórios, garantidos pela Constituição.

Juízes da Festa de Nossa Senhora da Conceição, em Pedras Negras, 8 de Dezembro de 2008

A Romaria e Festa do Divino é a principal tradição religiosa do Vale do Guaporé e a mais antiga de Rondônia. Foi iniciada pelos afrodescendentes e hoje é patrimônio de todos os moradores ribeirinhos. A responsabilidade do Divino é da Irmandade Geral do Senhor Divino Espírito Santo, e conta com dez Irmandades locais constituídas: Pimenteiras, Piso Firme, Remanso, Cafetal, Rolim de Moura do Guaporé, Versalles, Porto Murtinho, Costa Marques, Nueva Brema e Surpresa. A Festa do Divino segue um rodízio, sendo cada ano escolhido um lugar ao longo do Rio Guaporé. A Festa é precedida da Romaria, que durante cinqüenta dias, da festa de Páscoa à Pentecostes, percorre de barco todas as localidades do Rio Guaporé por mais de mil quilômetros, desde a Boca (Surpresa) até Pimenteiras, buscando a força e a luz no Senhor Divino Espírito Santo, Protetor e Consolador do Vale do Guaporé (http://divinodoguapore.blogspot.com/).

Devotos na chegada do batelão do Divino a Surpresa, na Romaria de 2008

Última atualização em Sáb, 20 de Agosto de 2011 17:57